domingo, maio 21, 2017

Girassol

Não imaginava que machucava uma flor
Um belo girassol que só olhava pro amor
Não imaginava que eu era só um surdo
Não imaginava que eu era só um bruto
Não imaginava que eu só dormia
Não imaginava que eu só perdia
Pouco a pouco a cada dia

Aquele girassol não se vira mais para mim
Então eu me apaguei e morri, foi o meu fim
Do jardim só me importava com o girassol
Para que insisto se não há mais brilho no sol
Eu não consigo impedir aquela dor
Só estava afogando nosso amor
Pouco a pouco sem poder supor

Penso que eu irei querer para sempre tê-la
Assim como a noite irá quererem estrela
Acordado ou dormindo, o sonho perfeito
Ficarei de longe, não terá mais nenhum jeito
O girassol terá outro sol para ser feliz
Tudo o que me resta é olhar a cicatriz
Não consegui salvar o nosso jardim, Girassol
Não tive a chance de ser novamente seu sol
Quem se afoga hoje sou eu, com as lágrimas
Pouco a pouco, em minhas rimas

sábado, dezembro 22, 2012

Fim da Linha

Enterre em mim seus segredos
O mundo escapa entre nossos dedos
Não entendo esta dança
Nos dias de hoje, em se falar de fim
É a chuva negra que cai sobre mim

Seu grito nasce do meu ouvido
Este riff extrovertido
Diluirá esta tristeza
Não esqueça sua natureza
A letra com aspereza
Despirará sua amargura
Você quer encontrar um refúgio
Mas fim da linha é um estágio

Amigo P.

domingo, dezembro 18, 2011

Seus Olhos

O que seus olhos vêem
Quer luzes ou escuridão
Desanimam
Mas não se fecham
Tão lindos eles são

Lá se vão como testemunhas
Prédios, paisagens, pessoas
Mas ficam em músicas
Tão lindas elas são

Seus olhos
Azuis são
E transparentes até o coração

segunda-feira, outubro 17, 2011

O Caminho É Ali, Em Frente

O caminho é ali, em frente
Devo ter sempre em mente
Nos dias de hoje, o limite é tênue
E ao olhar para os lados
Como é tão interessante essa gente!
Sorridentes, charmosos, convenientes!
Meu caminho é ali, em frente

O carinho é vão, descontente
Às vezes, impertinente
Ah, quem me dera se desconfiassem para que
Então, és tu consciente?
Esses lugares pertencem a essa gente!
Reluzentes, suntuosos, aparentes
Meu caminho é ali, em frente

Amigo P.

terça-feira, maio 09, 2006

Seu Adeus É Lento

Seu adeus é lento
Suas palavras, um veneno
Deixa-me um longo percurso
Para o antigo feliz rumo
Cada mapa que eu sigo
Leva a estrada sem destino
Onde não encontro seu sorriso
O melhor é fechar a porta

Seu adeus é lento
Horas ao seu lado
E sua boca, sem sentimento
Adeus!
Diga-me hoje
Não uma letra a cada semana
Me alimento de esperança
E caminho até pesar um grama
Irei fugir
Pois, nesta casa de espelhos
Há eco do piscar dos seus olhos
Ou cheiro dos seus cabelos

Seu adeus é lento
Um último aceno
Sem beijo
Esta é a porta de saída
Para longe da minha vida
Da minha vida

Estou em uma praça
Com milhões de pombos
Pronto para correr
E perder os quilômetros
Por trás dos meus ombros

Amigo P.

sábado, fevereiro 25, 2006

Fui Apenas Estes Passos

Não nasci, nem morri
A lembrança mais antiga
É de continuar um passo
Olhando para meus pés
Sem culpas
Sem saber ao menos meu nome
Do chão de areia, olho para frente
O sol esconde meu destino
Só há o som das ondas
Eu respiro e caminho
Livre
Olho para minha mão
Vejo outra mão
Junto do meu passo
Outro passo
Ela sempre esteve comigo!
Por seus cabelos ao vento:
Não quero nada além deste momento
Não nasci, nem morri
Fui apenas estes passos

Amigo P.

sábado, dezembro 24, 2005

Pessoas Certas

Certas pessoas são lendas

Fantasiam nossas memórias

E somem para além das glórias

Se voltam, nunca nos pertencem

Só de olhá-las, nós rendem


Pessoas certas são natureza

Chuva para a seca

Vida e também beleza

Aparecem quando caem estrelas

Nem sempre vivemos para vê-las


Certas pessoas parecem velas

Iluminam nossas capelas

E nós perdemos nessas vielas

Sabemos quem elas são

Assim que as vemos

Amigo P.

Eu Ouvi O Sol Nascer

Eu ouvi o sol nascer
Eu
Cego
Ouvi
O vento parecia que me abraçava
Soprava e me tocava
Não foi preciso estar de olhos abertos:
Eu ouvi o sol nascer!
Até as pessoas aparecerem
Correrem
Esbarrarem
Até as pessoas o nublarem

Amigo P.

domingo, setembro 18, 2005

Todo Azul Dos Seus Olhos

O azul dos seus olhos ficou guardado
Num filme inacabado
Esperando por seguir

Então, a canção Azul do Mar tocou
Para não deixar esquecer a cor viva
Que aquele sentimento ainda traria

Anos se passaram
Até que o brilho do azul único
Refizesse crer o distraído ausente
Golpe do destino
Sensação que gela dos pés à cabeça
E o azul dos seus olhos não pôde fugir
Deixe o filme seguir
A canção tocará todos os dias
O distraído rimará suas poesias

Amigo P.

quarta-feira, agosto 24, 2005

Ser Cinza

Vê o ser que está lá fora agora?
É nova versão de seres de outrora
Compra o mundo se quiser, dorme de pé
Leva consigo o cheiro da cidade
Ainda que disfarce sua idade
Tem cheiro de prédios que engolem outros
Mas que confere o gosto de mercúrio
E o acorda para o infortúnio
Então durante o dia o transporta
Para longe, bem longe daquela porta
Lá fora, com este gosto de ferida
De quem conseguiu quase tudo na vida
Porém faltou algo para que conquiste
O que faz poetas gastarem grafites

Amigo P.

sexta-feira, agosto 19, 2005

Pintar Poesias

Quero pintar poesias
Com litros de tinta preta
Sangrando de cada letra

Quero pintar poesias
Com quilos de tinta escura
Abrindo mais a fissura

Quero pintar poesias
Com toneladas de sentimento
E profundeza de oceano negro

Amigo P.

sábado, junho 18, 2005

Força

Força é levantar o rosto
Buscar o próximo posto
Erguer a mão
E as idéias não morrerem em vão
Separar do momento aflito
Ao menos um bom motivo
Consentir que há dentro de si
O último abrigo

Amigo P.

Desembranquecer A Alma

Venho escrevendo notas de rodapé
Não a história
Vencem os brancos das páginas
Que falta de audácia...
Aprisiona-me no pensamento

Venho escrevendo notas de rodapé
Sonhando com todas as páginas
O Desembranquecer da alma
Escrever, rodando com o mundo
Não como quem se perdeu no escuro

Amigo P.

Sílabas Descontadas

Não contarei o número de sílabas
Para apontares em quantos dedos
O sentimento vira um rochedo
Se criar rígidos versos
Libertarei o sentimento sem mente
O impulso, matematicamente
Não farei este furto
Serei amador no verso mais curto
Ou mais longo
No tamanho da folha que for
Na cor da dor
Na medida da alegria
A poesia é como o dia
Nasce
O poeta, só dá sintaxe

Amigo P.

Se Houve Palavras

Não tenho como saber
Se houve verbos em você
Que concordaram comigo
Não sei se enxergou em mim
Adjetivos que atraiam
Nossos olhos pouco se viram
Deito-me em dúvidas até se lhe pertenceu
Qualquer palavra relacionada a este sujeito
Que tenha merecido sua busca por semântica
Continuo minha monografia
Sem ter experimentado as palavras
Que estariam na ponta da sua língua
E talvez me rendessem o melhor capítulo

Amigo P.

Palavras Escada Abaixo

Por tantas vezes tentei te escrever
Coisas que nunca chegarás a ler

Palavras rolam escada abaixo
Os anos passam tão rápido
E só há o que entender

Assim que a lua no céu se colocar
Eu estarei debruçado a rabiscar

Palavras rolam escada abaixo
As horas passam tão rápido
Não posso me levantar

Palavras rolam escada abaixo
Os anos passam tão rápido
Não sei onde vou pousar

Amigo P.

sexta-feira, junho 17, 2005

O Guerreiro

Tarde da noite
Próximo da hora marcada
Ele entra na arena
O amor pelo prêmio é comum ao inimigo
O medo nos olhos, não
A realidade é mais feroz que sua razão justa
A espada

Explosões de pensamentos...
Entender o quanto se quer, o que se quer
Talvez estar pronto não significasse nada
Não adianta recorrer às religiões
Na arena, Deus só pode olhar
Posso sentir o suor por debaixo de sua armadura
A honra

A paixão o cegou para o jogo sujo
Não é só o que se vê quando a luta começa
Seus golpes são conhecidos porque é leal demais
Tudo o que faz é se repetir e se defender
Precisa de bem mais que isso
Em minutos, golpes atravessam sua armadura
Gritos da platéia antecipam o final
Sua espada se quebra ao cair no chão
De joelhos, olha o oponente e entende
Derrotado, deixa a arena

Amigo P.

Azul

As estrelas
O sol
Os cometas
Os Anéis de Saturno são azuis
O Buraco Negro é azul

O figurino
A maquiagem
A edição
A trilha sonora é azul
A legenda é azul

A espuma
A água
O vento
A areia cai entre os dedos
O sol cai no azul

A dor
O peso
O oxigênio
O ar enche os pulmões
O alívio é azul

O riso
A distração
Os amigos
Da tarde se esconde dormindo
À noite, azul

Os olhos
Os gestos
As palavras
As gotas caem do rosto
O grito é azul

O tempo
O ter que...
O entender
Os dias úteis são azuis
O descansar é azul

A casa
A rua
O sonho
Onde se pode estar é azul
O pensar é azul

Sem você, o azul é infinito

Amigo P.

Carta Perdida

Não adianta lutar esta guerra
Crescer é entender os defeitos
E as mágoas caírem por terra
Se apontar quem erra
Pode durar por toda a vida
Se aproximar
Vira uma carta perdida, embaralhada
Por entre outras de brigas
Com o tempo, o vento da afinidade
Vira uma brisa
Fechando as saídas
Colocando-nos pouco a pouco
Em lados opostos do globo
Nunca julgue como um jogo
Ou poderemos acabar
Nos procurando em outros

Amigo P.

Atrasado Tardio

Tão tarde
Que deu ódio
Não coube no relógio
Foi depois do entardecer
Perdeu o nascer
Já é meio-dia
Não tem mais o Ainda
Não tem mais solução

Atrasado Tardio
À meia-noite
No meio-fio
Sem brio
Sem brilho
Fora do trilho
Apóia o rosto
De desgosto
Da tardia certeza
Anoiteceu seus olhos
Com a dureza
Seu sorriso
Com a tristeza

Amigo P.

Apenas Uma Folha

Como uma folha
Ainda tão verde
Em água corrente
Não de um rio
A do meio-fio
Carregada para o bueiro
Não há misericórdia
Não há escolha
A quem sempre seguiu
As leis de sua deusa
A Mãe Natureza
Restando o fim do curso
Sabendo ser curto

Apenas uma folha
Ainda tão verde
Sem sorte
Seguindo para seu norte
Seu destino, para um corte

Amigo P.