Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Ser Cinza

Este ser que está lá fora
É a mais nova versão de seres de outrora
Compra o mundo agora se quiser
Dorme de pé
Carrega consigo o cheiro da cidade
Com pouca idade
Cheiro cinza, que não só a poluição explica
De prédios monstros que engolem outros
Este ser ranzinza de humor nublado
Toda noite, beija outro ser que o rejeita
Lhe confere gosto de mercúrio
O acorda para o infortúnio
E durante o dia o transporta
Para longe daquela porta
E continua lá fora
O ser cinza
Com aquele gosto na língua
De quem conseguiu tanta coisa na vida
Mas faltou algo para que conquiste
Aquilo que faz os poetas gastarem grafites

Amigo P.