sábado, junho 18, 2005

Força

Força é levantar o rosto
Buscar o próximo posto
Erguer a mão
E as idéias não morrerem em vão
Separar do momento aflito
Ao menos um bom motivo
Consentir que há dentro de si
O último abrigo

Amigo P.

Desembranquecer A Alma

Venho escrevendo notas de rodapé
Não a história
Vencem os brancos das páginas
Que falta de audácia...
Aprisiona-me no pensamento

Venho escrevendo notas de rodapé
Sonhando com todas as páginas
O Desembranquecer da alma
Escrever, rodando com o mundo
Não como quem se perdeu no escuro

Amigo P.

Sílabas Descontadas

Não contarei o número de sílabas
Para apontares em quantos dedos
O sentimento vira um rochedo
Se criar rígidos versos
Libertarei o sentimento sem mente
O impulso, matematicamente
Não farei este furto
Serei amador no verso mais curto
Ou mais longo
No tamanho da folha que for
Na cor da dor
Na medida da alegria
A poesia é como o dia
Nasce
O poeta, só dá sintaxe

Amigo P.

Se Houve Palavras

Não tenho como saber
Se houve verbos em você
Que concordaram comigo
Não sei se enxergou em mim
Adjetivos que atraiam
Nossos olhos pouco se viram
Deito-me em dúvidas até se lhe pertenceu
Qualquer palavra relacionada a este sujeito
Que tenha merecido sua busca por semântica
Continuo minha monografia
Sem ter experimentado as palavras
Que estariam na ponta da sua língua
E talvez me rendessem o melhor capítulo

Amigo P.

Palavras Escada Abaixo

Por tantas vezes tentei te escrever
Coisas que nunca chegarás a ler

Palavras rolam escada abaixo
Os anos passam tão rápido
E só há o que entender

Assim que a lua no céu se colocar
Eu estarei debruçado a rabiscar

Palavras rolam escada abaixo
As horas passam tão rápido
Não posso me levantar

Palavras rolam escada abaixo
Os anos passam tão rápido
Não sei onde vou pousar

Amigo P.

sexta-feira, junho 17, 2005

O Guerreiro

Tarde da noite
Próximo da hora marcada
Ele entra na arena
O amor pelo prêmio é comum ao inimigo
O medo nos olhos, não
A realidade é mais feroz que sua razão justa
A espada

Explosões de pensamentos...
Entender o quanto se quer, o que se quer
Talvez estar pronto não significasse nada
Não adianta recorrer às religiões
Na arena, Deus só pode olhar
Posso sentir o suor por debaixo de sua armadura
A honra

A paixão o cegou para o jogo sujo
Não é só o que se vê quando a luta começa
Seus golpes são conhecidos porque é leal demais
Tudo o que faz é se repetir e se defender
Precisa de bem mais que isso
Em minutos, golpes atravessam sua armadura
Gritos da platéia antecipam o final
Sua espada se quebra ao cair no chão
De joelhos, olha o oponente e entende
Derrotado, deixa a arena

Amigo P.

Azul

As estrelas
O sol
Os cometas
Os Anéis de Saturno são azuis
O Buraco Negro é azul

O figurino
A maquiagem
A edição
A trilha sonora é azul
A legenda é azul

A espuma
A água
O vento
A areia cai entre os dedos
O sol cai no azul

A dor
O peso
O oxigênio
O ar enche os pulmões
O alívio é azul

O riso
A distração
Os amigos
Da tarde se esconde dormindo
À noite, azul

Os olhos
Os gestos
As palavras
As gotas caem do rosto
O grito é azul

O tempo
O ter que...
O entender
Os dias úteis são azuis
O descansar é azul

A casa
A rua
O sonho
Onde se pode estar é azul
O pensar é azul

Sem você, o azul é infinito

Amigo P.

Carta Perdida

Não adianta lutar esta guerra
Crescer é entender os defeitos
E as mágoas caírem por terra
Se apontar quem erra
Pode durar por toda a vida
Se aproximar
Vira uma carta perdida, embaralhada
Por entre outras de brigas
Com o tempo, o vento da afinidade
Vira uma brisa
Fechando as saídas
Colocando-nos pouco a pouco
Em lados opostos do globo
Nunca julgue como um jogo
Ou poderemos acabar
Nos procurando em outros

Amigo P.

Atrasado Tardio

Tão tarde
Que deu ódio
Não coube no relógio
Foi depois do entardecer
Perdeu o nascer
Já é meio-dia
Não tem mais o Ainda
Não tem mais solução

Atrasado Tardio
À meia-noite
No meio-fio
Sem brio
Sem brilho
Fora do trilho
Apóia o rosto
De desgosto
Da tardia certeza
Anoiteceu seus olhos
Com a dureza
Seu sorriso
Com a tristeza

Amigo P.

Apenas Uma Folha

Como uma folha
Ainda tão verde
Em água corrente
Não de um rio
A do meio-fio
Carregada para o bueiro
Não há misericórdia
Não há escolha
A quem sempre seguiu
As leis de sua deusa
A Mãe Natureza
Restando o fim do curso
Sabendo ser curto

Apenas uma folha
Ainda tão verde
Sem sorte
Seguindo para seu norte
Seu destino, para um corte

Amigo P.